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Máquina de estampagem em aço reduz custo de protótipos

20 de Janeiro, 2015

A Universidade de Aveiro (UA) patenteou uma máquina de estampagem em aço de alta resistência, capaz de fazer peças exclusivas em algumas horas e com aplicação em áreas tão diversas como a biomédica, automóvel e aeroespacial.

 

A título de exemplo, a "máquina para estampagem incremental de chapa" é capaz de produzir um implante craniano para substituir um osso da cabeça em quatro horas, uma porta para um protótipo de um novo automóvel em seis horas e meia, ou uma peça para a fuselagem de uma nave aeroespacial em cinco horas.

 

Desenvolvida a pensar sobretudo na indústria biomédica, automóvel e aeroespacial, a máquina da UA tem no punção o ator principal, que atua na chapa, suspensa apenas pelo perímetro.

 

Os seis braços hidráulicos ligados ao punção conferem-lhe uma grande liberdade de movimentos e permitem-lhe imprimir forças até aos dois mil quilos em chapas de metal, desde as menos resistentes até às de aço usadas nos aviões, e moldá-las ao sabor do comando computadorizado programado pelos técnicos.

 

A precisão com que o faz assemelha-se ao cinzel de um escultor de mármore: "até faces humanas o punção molda no aço".

 

O método desenvolvido no Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) da UA quer substituir os dispendiosos processos de moldagem industrial, quando o objetivo é conceber um número reduzido de peças. É o caso dos implantes médicos, nomeadamente dos usados para substituir os ossos do crânio, e cujas medidas são exclusivas de cada indivíduo.

 

Na indústria automóvel e aeroespacial, na hora da conceção de um protótipo funcional, o método de estampagem da UA pode dar vida a formas experimentais que, posteriormente, poderão passar ou não para as máquinas de produção em série.

 

"A estampagem de peças em série é feita através de prensas e o grande problema da estampagem através de prensas é que implica um investimento inicial que ronda os 15 mil euros", explica Ricardo Sousa, investigador do DEM e responsável pela conceção da máquina. O processo, adequado para a fabricação de peças em série, deixa de ser ideal para peças exclusivas, devido ao elevado custo.

 

"Se eu quiser fazer uma peça para substituir a porta do meu 'carocha' não posso estar a gastar 15 mil euros para fazer uma matriz e, da mesma forma, uma marca de automóveis que quer fazer apenas um protótipo, não vai investir esse dinheiro, só para criar uma peça cujos resultados ainda estão em estudo", explica.

 

Por essa razão, explica Ricardo Sousa, "os protótipos são muitas vezes feitos em fibra de vidro ou em madeira, com todas as desvantagem que estes dois materiais têm por não serem exatamente os que no futuro vão ser usados no fabrico em série do produto".

 

Fonte: Porto Canal