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Escola do futuro

24 de Novembro, 2015

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Em meio a tantos acontecimentos que mudaram os rumos da economia brasileira, poucos fatos relativos ao país roubaram a cena positivamente. Um deles foi a realização da WorldSkills 2015, em agosto último – pela primeira vez no Brasil. A competição internacional mais importante da educação profissional iluminou nossa autoestima com uma coleção de medalhas de causar inveja aos países mais desenvolvidos — ao todo, 27 medalhas, das quais 11 de ouro, 10 de prata e 6 de bronze, mais 18 certificados de excelência. A WorldSkills também apontou caminhos e reforçou certezas para a indústria. A principal delas, sem dúvida, é a importância de investir na formação das novas gerações de profissionais que atuarão nas fábricas, nas oficinas e nos departamentos de P&D. As novas cabeças que estarão aptas a trabalhar na Indústria 4.0, em que a cadeia produtiva, conectada ao uso da Internet das Coisas, Big Data e redes inteligentes e exige pessoas que entendam esse funcionamento.

 

O Brasil tem tradição em formar talentos. Está aí para confirmar o Senai e seus 73 anos de existência com mais de 60 milhões de brasileiros formados. Em sua maioria jovens, como o curitibano Alesson Roger Lopes, de 23 anos – um dos 56 competidores que representaram o Brasil na WorldSkills –, cujo desejo é se tornar um instrutor para também preparar novas gerações de talentos, tal e qual ocorreu com ele na Escola Interna Bosch-SENAI. Ou como Andressa Laskaski, de 17 anos, cuja família inteira sempre trabalhou na indústria. “Fui apoiada por eles a ingressar nessa área. Tive a oportunidade de participar do processo seletivo para entrar no curso de mecânica geral, e estou curtindo. Meu próximo passo é participar de uma Olimpíada também.”

 

Muitas histórias formam essa imensa colcha colorida e diversa de jovens que ingressaram na aprendizagem profissional. Como a da instrutora Silvana Evangelista Mangueira, hoje com 27 anos, que começou aos 15, quando conheceu a área metalmecânica na Escolinha: “O que me encanta é a transformação desses alunos com 16, 17 anos. Eles entram na mecânica, como eu entrei, sem ideia do que seja. E nós, instrutores, fazemos isso, passando o conhecimento que temos para eles, e transformamos alunos em profissionais”.

As parcerias em nome da aprendizagem industrial estão entre os caminhos confirmados no legado da competição mundial para a viabilização desse grande projeto que é tornar nossa indústria mais competitiva e pujante. Conhecida carinhosamente como Escolinha, a Escola Interna faz parte do programa Aprendiz Industrial da Bosch em parceria com o SENAI, em Curitiba (PR). A unidade, que compreende a divisão Diesel Systems, dedica-se a fabricar sistemas de injeção eletrônica a diesel. E, desde os primeiros contatos com o conhecimento técnico, os alunos convivem no ambiente fabril.

 

“O índice de aproveitamento de nossos aprendizes ao término do curso de aprendizagem é de 93%, ou seja, ao fim do programa os aprendizes são contratados e atuam em diversas áreas dentro da empresa”, informa Fábio Silveira, chefe de treinamento e responsável pela Escolinha, em Curitiba, há dez anos. Ele também iniciou na Bosch como menor aprendiz do SENAI, em 1988, e, em dois anos, já atuava como instrutor de aprendizagem. “Atuei também na escola da Bosch de Campinas, como instrutor de aprendizagem, no período de 2000 a 2005.” A contratação de aprendizes é lei no Brasil, mas, antes de sua total efetivação, a Bosch sempre acreditou no programa de aprendizagem. Tem infraestrutura própria para proporcionar a seus menores aprendizes o ambiente propício para o desenvolvimento de competências.

 

A Bosch tem uma parceria com o SENAI de Curitiba há mais de 30 anos, e, segundo Silveira, é um vínculo consolidado, que se potencializa ano a ano. A grade de matérias dos cursos é organizada e elaborada em conjunto, assim como a metodologia de ensino. Atualmente, os aprendizes podem optar entre os cursos de mecânica geral, auxiliar administrativo e produção industrial, com duração de cinco semestres. Até hoje, a Escolinha formou mais de 1000 aprendizes e, neste ano, estão matriculados mais de 120 alunos.

 

Considerados tão importantes quanto saber manejar uma ferramenta ou interpretar um projeto, valores como responsabilidade, respeito, consideração ao outro e dedicação fazem parte do aprendizado em sala de aula. “Tenho certeza de que essa vivência de valores e de um ambiente que valoriza a abertura, a transparência e a confiança serão levados para toda a vida. Mesmo no caso dos jovens aprendizes que não se identifiquem com o curso ou escolham outras atividades no futuro. O fundador da companhia, Robert Bosch, foi um aprendiz, e não tenho dúvidas de que esse cuidado e a importância dada ao tema ele tenha deixado como legado”, diz o chefe de treinamento.

 

Fonte: O Mundo da Usinagem