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Desafios e oportunidades do "ecossistema inteligente"

27 de Outubro, 2015

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Caminhamos em direção a um mundo em que não apenas telefones, tablets e televisores, mas toda a casa, os veículos, as indústrias, as fazendas, os dispositivos médicos e tudo aquilo que nos cerca serão um pouco mais "espertos" - com alguma inteligência embutida.

 

Esse esperado "ecossistema inteligente" já está começando a tomar forma dentro das fábricas, mas, com a Internet das Coisasampliando seu alcance, os aparelhos de consumo também estarão integrados, equipados com sensores para coleta de dados em tempo real e conectados à internet.

 

Pesquisadores do Brasil e da Alemanha reuniram-se em São Paulo na última semana de setembro para discutir os impactos das novas tecnologias na forma como vivemos e trabalhamos, bem como os riscos e as implicações do compartilhamento de dados pessoais no ciberespaço.

 

Quarta Revolução Industrial

Segundo Reiner Anderl, professor da Universidade Técnica de Darmstadt, na Alemanha, estamos vivendo atualmente o período da quarta revolução industrial. "É o surgimento da indústria 4.0 e, com ela, de novas cadeias de valor e novos modelos de negócio", afirmou.

 

De acordo com Anderl, a primeira revolução industrial do século 19 baseou-se na invenção do tear mecânico e no uso da energia a vapor. No início do século 20 veio a segunda onda, com a introdução da linha de montagem e da produção em massa. A terceira teve início na década de 1970 com a automação da produção e a tecnologia da informação (TI).

 

A quarta revolução industrial, algumas vezes chamada também de Segunda Revolução Digital, está baseada no chamado sistema ciberfísico.

 

"Ele pode ser definido por dois principais aspectos. Um é tornar os sistemas físicos mais inteligentes, equipando-os com sensores e acesso à internet, permitindo conectividade e comunicação. Outro é tornar as simulações das funcionalidades, ou seja, o virtual, muito mais realista," explicou Anderl.

 

Na indústria 4.0, o grande volume de dados coletados o tempo todo pelas máquinas é enviado para a nuvem, onde é monitorado e avaliado porprogramas especialistas. Nas fábricas, os sensores dizem para as máquinas como elas devem operar, em um sistema descentralizado no qual os diversos setores se comunicam.

 

"Isso permite identificar, por exemplo, um aumento de temperatura em um determinado equipamento, bem como prever que isso poderá causar um defeito dentro de alguns dias e interromper a produção. Podemos então realizar uma manutenção preventiva", disse Anderl.

 

As novas tecnologias levam ao surgimento de novos modelos de negócio. Sensores instalados nos produtos poderão avisar quando uma manutenção é necessária. As peças de reposição, hoje fabricadas na matriz e exportadas para os mercados consumidores em todo o mundo, podem agora ser produzidas por impressoras 3D localmente, reduzindo os custos.

 

"Uma fabricante de turbinas de aviação, por exemplo, em vez de ganhar apenas com a venda do produto, pode lucrar com um contrato de manutenção. Também é vantajoso para a companhia aérea, pois o produto sai a um preço mais baixo," avaliou Anderl.

 

 

Interconectividade e flexibilidade

É claro que os impactos no mercado de trabalho são grandes. Segundo Arnold Picot, da Universidade Ludwig Maximilian, as relações de trabalho da era digital são marcadas pela interconectividade e pela flexibilidade.

 

"Os processos de trabalho e de produção podem ser controlados de qualquer lugar e a qualquer momento. A tendência é a dissolução das estruturas industriais estabelecidas e uma menor separação entre vida pessoal e profissional," disse Picot.

 

O trabalho nessa nova "economia sob demanda" tende a se orientar em torno de projetos, que integram de maneira flexível diferentes modelos: equipes locais, terceirizados, trabalho coletivo, freelancerse outros. "Cria-se o modelo 'trabalhadores na torneira', ou seja, a torneira dos trabalhadores é aberta e fechada na medida do necessário", disse Picot.

 

Ainda segundo o professor Picot, a tendência é de crescimento de postos de trabalho que exigem baixa capacitação e pagam pouco, bem como os de alta capacitação e altos salários. Aqueles de nível intermediário tendem a diminuir, o que pode levar a uma sociedade mais desigual.

 

"Não devemos nunca esquecer nessas discussões que o trem está se movendo, quer a gente queira ou não. Isso está acontecendo. Creio que a questão é: queremos ou não fazer parte do processo e nos beneficiar com a mudança? É preciso agir para não perder empregos e nos valermos dos novos postos que estão surgindo", afirmou Dieter Rombach, da Instituto Fraunhofer.

 

Por outro lado, há um sem-número de oportunidades de novos pequenos negócios, verdadeiras fábricas domésticas viabilizadas pelas impressoras 3D e sistemas de controle numérico de baixo custo.

 

Fonte: Inovação Tecnológica

Imagem: Cortesia Justin Plichta/Universidade Tecnológica de Michigan